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Acolher

Publicado: Sexta, 13 de Dezembro de 2019, 12h13 | Última atualização em Sexta, 13 de Dezembro de 2019, 18h20

Campus Machado recebe crianças e adolescentes do bairro Santo Antônio II 

Ação de Extensão "acolhe" o projeto "Movidos pelo Amor"

DSC 0904Desde o mês de agosto deste ano, 22 crianças e adolescentes em vulnerabilidade socioeconômica participam de um projeto de extensão no IFSULDEMINAS - Campus Machado. De segunda a quinta-feira, em horário de contraturno escolar, eles recebem reforço nas disciplinas de língua portuguesa, geografia, ciências, química e matemática, participam de rodas de leitura, aulas sobre educação ambiental, introdução à informática, praticam esportes, como o xadrez e aprendem a tocar flauta.

O projeto “Acolher”, como uma ação extensionista do Campus Machado, surgiu a partir do trabalho realizado pela senhora Adriana Fernandes, dona de casa e proprietária de um mercadinho no bairro Santo Antônio II. Sensibilizada pela história de uma vizinha que relatou não ter recursos para oferecer café ao filho antes da escola, Adriana passou a servir, desde fevereiro deste ano, café da manhã aos moradores do bairro.

DSC 0944Assim nasceu o “Movidos pelo Amor” (confira aqui uma matéria da EPTV), projeto que ganhou diversos apoiadores no município, muitas pessoas e entidades sensibilizadas com o empenho e esforço da Adriana. Dentre esses, o Campus Machado que, em parceria com a Prefeitura Municipal, busca as crianças e adolescentes para participarem de diversas atividades no próprio campus da instituição. Para a coordenadora de Extensão, Michelle Marques, o projeto “Acolher” exemplifica exatamente a função social da Extensão, ao unir a instituição à comunidade, dando oportunidade aos alunos e professores de compartilharem o conhecimento produzido dentro do Instituto. O nome foi escolhido por representar exatamente o papel da instituição no projeto. “Pensei em um nome que representasse o Instituto apoiando outros projetos e ações existentes”, explica.

O público atendido vive em fragilidade de vínculos afetivos e de pertencimento social, lida com discriminações de gênero, raciais, étnicas e situações de privação. Essas crianças e adolescentes são filhos de presidiários, egressos do sistema prisional e pessoas envolvidas com drogas, conta Adriana, idealizadora do “Movidos pelo Amor”. “Esse tipo de ação tem um papel fundamental na proteção social dos menores, que ocorre por meio da criação de um espaço seguro”, explica a coordenadora de Extensão do campus.

DSC 0898Nesta perspectiva, para trazer esses menores para um ambiente escolar, foi proposta uma programação variada com reforço escolar e ações recreativas. Tudo desenvolvido com o apoio de professores estudantes, como os licenciandos de Biologia e Computação. Para Adriana, a iniciativa do campus de “acolher” literalmente o projeto “Movidos pelo Amor” trouxe uma nova perspectiva. “Quando a Michele me disse que já poderia trazer as crianças para o Instituto, foi uma alegria muito grande, porque todos os dias eu tinha que me desdobrar para fazer atividades para eles. Era uma loucura, e eles vindo para cá, me deram uma trégua para correr atrás de outras coisas”, conta.

Todos os dias da semana, a dona de casa Claudinéia Alves, uma das voluntárias do projeto, acompanha as crianças e adolescentes. Ela tem seis filhos e dois deles são atendidos pelo “Movidos pelo Amor”. Desde o início do ano, Claudinéia passou a levar os filhos para tomarem café da manhã na casa da Adriana, mas se dispôs também a ajudá-la no projeto. Segundo explicou, no começo eram poucas crianças e, ao poucos, esse número foi se multiplicando. Com a parceria do Instituto no projeto “Acolher”, a rotina deles mudou bastante. “Eles adoram vir para cá, está sendo muito bom, cada dia fazem uma coisa diferente, eles aprendem bastante e se comportam direitinho, porque se fizerem bagunça ou desobedecerem, recebem suspensão e perdem o dia de passeio, que é toda sexta-feira”.

Programação diversificada ocupa o dia a dia dos menores no projeto

projetoAcolher 1A filha da Claudinéia, Vitória Alves da Silva, de 13 anos, cursa o 7º ano do Ensino Fundamental. Ela é uma das adolescentes que participam das aulas no campus. Entre as atividades preferidas, o projeto sobre Meio Ambiente conduzido pelos estudantes do curso de Licenciatura em Ciências Biológicas. “No segundo dia que fizemos aula de ciências, eles levaram a gente para explorar o Instituto e ver o que é um bioma, seres vivos e não vivos”, contou a estudante, que também se interessa pela área de informática e já vê a possibilidade de estudar no campus futuramente, quando puder ingressar em um curso Técnico Integrado ao Ensino Médio. Para Adriana, a proximidade deles com o Instituto abre grandes possibilidades de um futuro melhor, já que podem se tornar alunos da instituição.

Gabriel Kim, estudante do último ano de Licenciatura em Ciências Biológicas, se apaixonou pelo projeto Acolher. Ele coordena as aulas sobre Meio Ambiente, que fazem parte do projeto que a Vitória mais gosta. Mesmo após se formar, pretende continuar como voluntário no “Acolher”. Para o licenciando, é um desafio instigante articular o conhecimento com o dia a dia dos alunos. Segundo explicou, as crianças foram divididas em quatro grupos para que fossem trabalhadas as identidades de cada um deles.

Se quiser contribuir com o projeto da  Adriana, entre em contato com a página "Movidos pelo Amor" no Facebook!

A partir da concepção do educador Paulo Freire, os licenciandos buscam articular os temas trabalhados com o dia a dia dos estudantes. “Em vez de tentar separar a escola da vida do aluno, abrimos as portas da escola para que o aluno entre por completo. A gente entende a vida do aluno e tenta trabalhar a matéria a partir do cotidiano dele. Temos um trabalho interessante sobre conscientização do uso da água, no qual cada um dos grupos elaborou uma estratégia baseada no seu dia a dia. Com isso, estamos trabalhando não só a conscientização sobre o uso da água, mas temas como sustentabilidade e poluição. Temos que conseguir enxergar o tema em sua amplitude e entender que o cotidiano do aluno está inserido naquele tema. Como juntar tudo isso e tornar interessante para o aluno? Esse é o nosso desafio”, diz.

DSC 0307O coordenador de Ensino a Distância do Campus Machado, professor José Pereira da Silva Júnior, também integra o projeto “Acolher” e todas as segundas-feiras, coordena uma roda de conversa e oficina de leitura com as crianças e adolescentes. Ele já observa mudanças no comportamento deles, “são muito carentes de afeto, vejo que a agressividade diminuiu muito. Desde que chegaram aqui, estão mais calmos. A ideia não é reproduzir o ambiente escolar no qual eles já estão, mas oferecer uma outra experiência para perceberem que a escola pode ser diferente do que imaginam.”

Apesar dos conteúdos definidos na programação não estarem focados no ensino regular, compreendem atividades que possam reduzir as dificuldades que os meninos e meninas apresentam na escola. Esse é um importante aspecto do projeto “Acolher, explica a coordenadora de Extensão, “eu pedi à Adriana que levantasse as séries de cada aluno e quais as principais deficiências deles na escola”. Dessa forma, principalmente as atividades que tem uma questão formativa e de reforço escolar foram desenvolvidas visando superar as deficiências levantadas. “Aulas como as de ciências, matemática, estatística e língua portuguesa foram focadas em superar as dificuldades do aprendizado deles na escola regular”.

Marcelo Leite Júnior é aluno de Sistemas de Informação e um dos instrutores do curso de Informática Básica realizado às quartas-feiras. Filho de professores, descobriu que gosta de ensinar e leciona em diversos projetos desde que iniciou o curso. No “Acolher”, observa que muitos alunos nunca tiveram contato com a Informática ou apenas tiveram um contato bem superficial. “Vi um interesse maior do que imaginava, pela idade quem eles têm”. DSC 0913Entre os desafios, destaca a necessidade de administrar o ritmo da sala de aula. “Alguns meninos deram mais trabalho, mas isso é normal”, conta.

Às quintas-feiras, o professor de Educação Física do campus, Carlos Eduardo Ramos, ensina xadrez. Para ele, lidar com uma turma tão heterogênea também tem sido o maior desafio do projeto. “São diferentes idades, mas dentro de cada uma delas, o aprendizado tem ocorrido de forma muito satisfatória”. Eduardo já até identificou um talento potencial, a Ana Lívia, uma adolescente de apenas 11 anos que tem se destacado em sua faixa etária

Encerramento anual e perspectivas

DSC 0952Nesta quinta-feira, 12 de dezembro, Adriana e Claudinéa acompanharam as crianças e adolescentes para encerramento das aulas no campus. Eles participaram, ao mesmo tempo, de um jogo de Xadrez com o professor Eduardo, que foi alternando de um a um até completar as partidas. Logo após, foi realizada uma gincana e servido um lanche especial. Adriana avalia de forma positiva o ano e pretende tirar um descanso para garantir fôlego ao projeto. “Eu não queria tirar férias não, mas pelos conselhos que recebi, vejo que é necessário tirar um tempo para me organizar. Aprendi, com a ajuda de algumas pessoas, que é importante planejar”.

Para o próximo ano, a parceria com o Campus Machado segue firme, garante a coordenadora de Extensão. “A ideia é ampliar o número de atendidos e receber 35 meninos no campus. Vamos buscar fomento, parcerias, bolsistas e adquirir materiais. Hoje, o que usamos é aproveitado de outros projetos ou de iniciativa voluntária minha, de alunos ou de professores. Mas ano que vem, buscaremos fomento interno por meio de editais e externo com empresas parceiras”, ressalta.

Texto e Fotos: Ascom/IFSULDEMINAS - Campus Machado

 

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