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Semana da Consciência Negra

Publicado: Terça, 26 de Novembro de 2019, 10h54 | Última atualização em Quarta, 27 de Novembro de 2019, 14h21

Perspectiva histórica, cultural e a realidade do negro na educação foi tema da II Semana da Consciência Negra no campus

DSC 0235Dia 20 de novembro é a data considerada pelo Movimento Negro como marco na luta pelos direitos da população afrodescendente. Pelo segundo ano consecutivo, o IFSULDEMINAS - Campus Machado promoveu a Semana da Consciência Negra. Nos dias 19 e 20, foram realizadas diversas ações para sensibilização sobre as questões étnico-raciais, empoderamento negro e combate ao racismo.

A organização do evento envolveu os professores Adriano Clayton da Silva, Lúcia Helena da Silva, Priscila Pereira e Marco Antônio Moraes Júnior, além do Coletivo da Diversidade, grupo de alunos do campus que propôs a programação das ações.

Durante os dois dias de evento, a exposição “Do cativeiro à liberdade: histórias de resistência” foi exibida na Biblioteca do campus. No primeiro dia (19), ações mais reflexivas deram o tom da semana. Foi promovida uma oficina de capoeira com o instrutor Everson Paulino e realizado um cine-debate em dois momentos, no período da manhã e à tarde. À noite, a ação culminou em uma mesa-redonda que debateu a perspectiva do negro na educação e contou com a participação da professora Lucia Helena Silva, do licenciado em Ciências Biológicas e estudante do campus, Raphael Borges de Souza, e do artista e representante da Secretaria de Educação de Alfenas, Rodrigo Mikelino.

Mesa-redonda 

DSC 0339O estudante Rafael Borges apresentou dados de uma pesquisa realizada durante sua graduação. Ele foi aluno do Técnico e também concluiu o curso de Licenciatura em Ciências Biológicas. Atualmente, faz Mestrado na Unifal e pretende continuar sua trajetória no campus, agora como aluno do curso de Pedagogia.

Para Rafael, ser aluno e palestrante na instituição é algo muito gratificante, “ainda mais por tratar do negro na educação brasileira”. Segundo explicou em sua palestra, nos últimos tempos, tem notado um crescimento do racismo e considera que as questões raciais precisam ser tratadas. “Só que muitas vezes, quando vamos discutir, a presença e a posição do negro, encontramos muitos entraves, como não ser o momento adequado, já que o Brasil saiu de uma ditadura há poucos anos, ouvimos que não precisamos de uma consciência negra e sim de consciência humana. Mas os racistas, de um modo geral, querem sempre apagar os feitos dos negros e os colocarem como seres inferiores”, pontuou.

Durante a mesa-redonda, foi discutida também uma pesquisa divulgada na imprensa, mencionando ser a primeira vez que o número de negros ultrapassa o de brancos nas universidades públicas. “Aí uma coisa que nós nos questionamos é: qual instituição pública? Porque o IF em Machado e nem o IFSULDEMINAS tem a maioria de seus alunos negros, a Unifal não tem a maioria de seus alunos negros. A USP não tem a maioria de seus alunos negros. Qual é a fonte disso?”, questionou Rafael.

DSC 0347Rodrigo Mikelino, como ator, bailarino e Licenciado em Letras, falou um pouco sobre o resgate dos valores culturais dos afrodescendentes e como isso influencia a sociedade atual. Falou também sobre empoderamento do jovem negro, sua representatividade e identificação cultural a partir das referências artísticas.

Lúcia Helena, professora de Administração do campus, encerrou a mesa-redonda, falando sobre ancestralidade, explicando ao público quem são os negros. Abordou sua experiência, já que faz parte da terceira geração liberta de sua família e falou sobre a situação do negro no país. “A desigualdade no Brasil tem raça. Nós temos ¼ da população, ou seja, mais de 50 milhões de brasileiros que ainda estão abaixo da linha da pobreza e mais 75% são negros e mestiços. Então, a desigualdade social no Brasil está ligada ao racismo”. Ela também apresentou os dados históricos sobre a abolição, inclusive no sul de Minas, que foi a última região do país a abolir os escravos.

A partir das informações apresentadas, foi feita uma reflexão sobre o negro na educação, sobre as cotas e sobre a pouca representatividade na política. Ao final, foi aberto espaço para perguntas. A professora fez a uma análise muito positiva do evento e considerou a discussão produtiva. “É um espaço importante para pensar pautas humanitárias na escola. À medida que as pessoas tomam conhecimento, elas se sensibilizam e garantem uma outra postura como cidadãos, valorizando mais o espaço da escola pública, gratuita e de qualidade e aprendem sobre os caminhos para acessá-la”.

Segundo dia do evento

DSC 0399No dia 20 de novembro, data oficial da Consciência Negra, a programação do evento contou com uma feijoada servida no Refeitório do campus, oficina de dança afro com a instrutora Letícia Nascimento e uma oficina de turbantes e penteados afro. À noite, uma roda de samba com Diego Silva e banda e um sarau cultural fecharam as atividades.

Ainda no dia 20, a professora Priscila Pereira participou de uma entrevista na Rádio Estação Cultura para o Jornal Estação News. Além de divulgar o evento, ela abordou a trajetória histórica da luta dos negros, a partir da perspectiva deles e não da história contada por brancos. A professora esclareceu, por exemplo, que o marco da consciência negra é a morte de Zumbi dos Palmares, em 20 de novembro, e não a assinatura da lei áurea pela princesa Isabel, comemorada em 13 de maio. “É muito bom falar sobre isso aqui na Rádio, que ainda é uma ferida aberta na sociedade brasileira. Muitas pessoas ainda têm dificuldade de entender, com nosso jeitinho brasileiro, a gente simplesmente silencia, não fala das dores e não trata as feridas históricas”.

DSC 0909Para a professora Priscila, é importante refletir sobre o tema. “Como diz Ângela Davis, não basta não ser racista, precisamos ser antirracistas”. Ao final de sua entrevista, enfatizou que, combater o racismo e promover a igualdade resulta numa sociedade melhor para as futuras gerações e fez um apelo ao público para participar também dessa luta.

Texto: Ascom/IFSULDEMINAS - Campus Machado

Fotos: Divulgação

 

 

 

 

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